01 junho 2007

Arena Fifa

Há alguns anos, o comercial de televisão nos convidava a ir para o Mundo de Marlboro. Um universo paralelo habitado apenas por cavalos e caubóis fumantes. Outro universo paralelo razoavelmente conhecido é o Mundo Bizarro. Um planeta oposto à Terra, mas ainda assim ruim. Esse era o planeta-natal do Super-Homem Bizarro, provavelmente o supervilão mais tosco e imbecil da história das Histórias em Quadrinhos. Quem via “Super-Amigos” deve lembrar dele.

Bizarro era um mundo que fazia jus ao nome. Agora, bizarro mesmo é o Mundo Fifa! Há uns seis meses, nós gaúchos fomos apresentados a ele quando o Sport Club Internacional sagrou-se campeão do Mundo Fifa. O Mundo Fifa é um universo paralelo dedicado exclusivamente ao rude esporte bretão (como diz o Jens). Os habitantes do Mundo Fifa são dotados de uma megalomania que os separa dos demais apreciadores do futebol. Para eles, os únicos campões mundiais interclubes são o Inter de Gabiru, o São Paulo de Mineiro, o Corinthians, que ganhou um torneio pega-ratão lá pelo ano 2000, e o Palmeiras, que ganhou outro torneio pega-ratão na década de 1950. Talvez alguns coloquem o Grêmio nessa lista. Afinal, o Tricolor da Azenha ganhou uma Copa Renner, que é do mesmo naipe dos torneios ganhos pelo Corinthians e pelo Palmeiras.

Mas até aí tudo bem. Quem quisesse viver no Mundo Fifa que vivesse. Isso em nada afetava minha vida e a do meu Tricolor da Azenha. Até o momento em que o Mundo Fifa resolveu abduzir os dirigentes gremistas. A partir daí, segundo os nossos dirigentes, o sonho da torcida gremista passou a ser a Arena Fifa. A torcida teria passado a sonhar com a tal Arena, ao invés de um Olímpico fervendo ao som da Geral. O tal estádio dos sonhos será uma arena asséptica, com banquinhos estofados e estacionamento para todos os tiozões que se aventurarem até a inóspita Zona Norte de Porto Alegre, futura casa do, por enquanto, Tricolor da Azenha. A Yeda poderá ir à Arena e não apenas sobrevoá-la de helicóptero, como precisa fazer hoje no selvagem estádio Olímpico Monumental. Provavelmente, nesse novo estádio, todos os torcedores ficarão confortavelmente sentados comendo pipoca, acompanhada de copões de refri, como nos estádios de futebol americano. Levantar das poltronas fofinhas, só para ir ao Shopping Mall anexo. Ao final do jogo, os atletas saudarão o público em meio a uma chuva de papel prateado picado, com o logo do patrocinador ao fundo. Assim é o Mundo Fifa.

Talvez seja apenas má-vontade e rabugice da minha parte. Talvez seja só a contrariedade por causa da mudança de local, já que o Olímpico fica a menos de um quilômetro da minha casa. Talvez eu seja uma minoria que não faz parte desse sonho e desse anseio fifamundista. Eu até não discordo de todo. Eu também gostaria de ter um estádio mais confortável e com uma comida melhor do que aquele cachorro-quente suspeito. O problema é que eu ainda não estou convencido de que a torcida do Grêmio realmente sonha em ter um novo estádio nesses moldes, construído dessa forma. Também não estou convencido de que a população, incluindo-se os não-gremistas, sonhe e anseie em ver os governos estadual e municipal gastando o escasso dinheiro público para fornecer a infra-estrutura necessária ao empreendimento sonhado pelos habitantes do Mundo Fifa. E, principalmente, não estou convencido de que a torcida sonha e anseia em pagar para o asqueroso Antônio Britto e para o Paulo Odone comandarem esse empreendimento. Vocês conhecem algum empreendimento bem-sucedido comandado pelo Britto? Só o velório do Tancredo, e olhe lá! Acho mais fácil acreditar que o Britto e o Odone sonhem em receber essa graninha fácil! Mas, enfim, sonhos, sonhos são, como diria o Chico... Eu, particularmente, prefiro sonhar com um time vencedor, mesmo que jogando no campinho do Araribóia.

11 comentários:

Rodrigo Cardia disse...

SENSACIONAL!
Também ando preocupado com essa idéia do Grêmio querer entrar no "Mundo FIFA". É tal qual o "Mundo de Marlboro", onde não há problemas (apesar de todos os habitantes do Mundo de Marlboro morrerem de câncer...), tudo é maravilhoso... Para chegar ao PDS (ops, ARENA, ainda não mudou o nome do futuro estádio) do Grêmio, muita gente vai precisar de dois ônibus, vai ficar longe pra cacete, táxi vai ser muito caro... Será um estádio para quem tem carro, ou seja, quem tem maior poder aquisitivo. E excluirá a massa, que tanto ajuda nosso Tricolor no Olímpico.

carlos santos disse...

Como gremista e frequentador do Estádio Olímpico a mais de 40 anos , acho péssima idéia mudar o local.De minha parte , quero ver essa dupla longe, pois foram eles que acabaram com a Caixa Estadual ,do qual eu era funcionário.

Cesar disse...

Muito BOM.
Nisso até gremistas e colorados (como eu) tem que corcordar.
Estão afastando o esporte dos que realmente gostam dele.
E o britto (em minúsculas mesmo) comandando?
Ninguém merece.

Claudia Cardoso disse...

É, arranjaram logo um empreguinho pro Britto. De uma certa forma, sempre teve dinheiro público no futebol gaúcho. O Banrisul já patrocinou os dois clubes. A questão é essa: será que a torcida gremista faria alguma mobilização do tipo "Fora Britto"? Ou "Fora Grana Pública"? Tenho minhas dúvidas de que a torcida esteja preocupada com a origem do dinheiro para a construção deste novo estádio. Quanto ao local, é tudo uma questão de adaptação. :-)
E DALE GRÊMIO!

Guga Türck disse...

Kayser, essa história de Arena vai acabar com o maior movimento da história da torcida gremista. É bem coisa de engravatado para ganhar uns pilas a mais. Dizem que é para a Copa de 2014. Mas, então, que façam um estádio para a Copa e deixem o Olímpico para os gremistas! Afinal, vão fazer o estádio para 2014 e a gente que mora na cidade e freqüenta futebol não vai nem chegar perto! Os ingressos vão ser milionários!!!

Mas não é de se espantar. Se é para desmontar o que a Geral vem construindo com sangue, suor e lágrimas, que é a ALMA do Grêmio, nada melhor do que o destruidor e desmantelador mor do estado: antônio britto!!!

Temos, ainda, alguns anos para virar esse jogo.

NINGUÉM VAI DEMOLIR O OLÍMPICO!!!

Jean Scharlau disse...

Paulo Odone e Britto no esquema e a escolha do "novo" nome e "novo" estádio deve ser mera coincidência...

Marcos disse...

Também acho isso uma palhaçada. Britto e Odone junto nunca deram boa coisa e realmente acho que essa tal de arena vai ser um lugar elitista que vai cobrar um ingresso proibitivo para a maioria da geral do grêmio. Aliás, o ingresso hoje já tá um absurdo...

Erick da Silva disse...

Excelente artigo. Do jeito que vão indo as coisas, daqui a pouco o Odone, Britto e cia ficam tocando o tal do projeto "Arena", dos milhões de reais de sabe se lá aonde e resgatam o Obino pra comandar o futebol para coroar com chave de ouro a sanha de fazer atrapalhadas da nossa cartolagem tricolor. Um abração tio.

Matheus Colombelli disse...

Estou muito preocupado com a "Arena". Perguntado se o novo estádio seria elitista e impediria AINDA MAIS os pobres de verem o Grêmio, Eduardo Antonini respondeu: "isso não acontecerá, pois destinaremos um setor do novo estádio com ingressos em torno de 40 reais".

Além da restrição econômica, ainda tem a espacial: 51 mil lugares é pensar pequeno.

Vejam o que aconteceu com o Atlético/PR.. clube popular que era, atualmente pena para colocar 10 mil pessoas na "Kyocera".

Putz, e ainda teremos que aturar um nome desses...

Leo disse...

Em primeiro lugar, não gostei da indicação do Britto. Nada a ver com política, ao contrário de muitos que deixam seu petismo transparecer nos comentários. Não quero o Britto porque ele não é dedicado ao Grêmio e não possui experiência no mundo do futebol.
Quanto ao novo estádio, acho incrível que alguns defendam a manutenção do Olímpico, quando um dos motivos para a troca de estádio é, exatamente, o excessivo gasto com a manutenção de uma estrutura da década de 50!!!
Quem é sentimental, que leve um pedaço de concreto pra casa após a implosão.
Dizer que a Zona Norte é muito longe, e que essa distância vai "elitizar" a torcida, só pode ser brincadeira! Se alguém acha que dez ou quinze quilômetros é muito longe, que não vá!
A logística de transporte para aquela área será infinitamente melhor do que a do Olímpico, espremido numa zona residencial. Pra gostar da localização atual, só morando perto e indo a pé, ou sendo tiozinho teimoso, que acha qualquer mudança ruim.
Esse tipo de mentalidade contra grandes empreendimentos é que mantém Porto Alegre na mediocridade há décadas. Esperar o quê de uma cidade cuja maior atração é a Usina do Gasômetro...

Kayser disse...

Prezado Leo, até posso aceitar o teu argumento de que a estrutura do Olímpico seja arcaica e deficitária e que isso justifique a construção de outro estádio. Até aceito que ele precise ser construído na zona norte. Não creio que seja assim, mas até posso ser acreditar nessas possibilidades. O que não dá para aceitar no teu comentário são algumas afirmações sem qualquer comprovação factual e outras altamente autoritárias. Como é possível afirmar com toda essa convicção de que a “logística de transporte para aquela área será infinitamente melhor do que a do Olímpico”? Tu podes no máximo supor isso e esperar que isso aconteça. No momento, é muito mais fácil ir de ônibus para o Olímpico do que para qualquer ponto da zona norte. No futuro, não sabemos. Podemos apenas conjecturar, supor e torcer para que assim seja. Mas o pior mesmo são as tuas afirmações do tipo “quem não quiser, que”. Que não vá ao estádio, que leve um pedaço de concreto para casa, que vá se foder... Por que isso, Leo? É proibido não querer? Somos todos obrigados a concordar com o tal estádio, assim sem discussão alguma, sem negociar qualquer tipo de alternativa? Será que essa é a forma correta de se decidir algo desse tipo? Pense bem, caro Leo. Abraço.