



Mas, voltando ao Bush, ele é o personagem de algumas das minhas melhores charges. Essa daí foi a primeira charge que publiquei no JC. Por isso o desenho está caprichadinho. E está colorido porque também saiu n’O Pasquim 21. É de fevereiro de 2003. Naquela época o Bush ainda tentava convencer a ONU a apoiar a invasão ao Iraque. Depois ele acabou invadindo sem autorização nem apoio e desmoralizou de vez a ONU. Para ele, o Kofi Annan era café pequeno (finalmente consegui usar esse trocadilho!).
Eu estava dando uma olhada nas minhas charges dos últimos anos sobre o carnaval. Em

Bem, o Rigotto iniciou 2006 achando que poderia engambelar o Brasil inteiro com aquele papo-furado de coraçãozinho, paixão pelo Brasil, terceira-via, pacificação, e blablablá. O resultado não poderia ter sido mais patético: fez mais votos do que o Garotinho e perdeu a prévia. Depois, tomou uma rasteira da véia Yeda e não emplacou nem o segundo turno na eleição para o governo do estado. Mesmo assim, a imprensa não desistiu dele... Particularmente, espero que, para o bem do nosso estado, ele resolva seguir os passos do seu guru, Pedro Simon, e se torne senador vitalício. Antes em Brasília do que no Palácio Piratini.

Claro que a charge do Rigotto não seria publicada no JC. Nem tentei. Em seu lugar, mandei uma “chargezinha de resultados”. O que também se poderia chamar de “charge força”. Se o Felipão fosse chargista, ele faria esse tipo de charge sempre: senso comum, sem arriscar nada, sem contrariar ninguém e conseguindo uma escassa risadinha do leitor no final. Uma engambelação, mas de vez em quando todo chargista tem que apelar para isso.

E, depois do carnaval, a volta à realidade, que em 2006 foi meio tumultuada. Além dos impostos de sempre e do tradicional aumento da gasolina, havia uma ameaça de greve de professores. Para quem não lembra, o Cepers queria 28% de aumento, acrescidos de 8% de inflação. Já o governo dizia que só poderia negociar aumentos lá por maio... Era puro migué, já que em maio não seria mais possível dar aumento algum, pois 2006 era ano eleitoral. Então, os professores paralisaram as aulas e o governo anunciou que daria 8% de aumento para todos os funcionários, mas só se os professores voltassem às aulas. Chantagem barata, querendo jogar o restante do funcionalismo contra o magistério. Não deu certo. Por fim, foi concedido 8,03% para o funcionalismo e 8,57% para o magistério.
Quando começou essa avalanche de insensatez e fascismo em favor da redução da maioridade penal, capitaneada pela Globo e com a adesão não surpreendente de decepções como o senador Paulo Paim, pensei no que quase todos os chargistas pensaram: charges com crianças de colo, recém-nascidos ou fetos sendo presos. Imediatamente me lembrei desse desenhaço do Moa, que ganhou o prêmio de melhor cartum do 2º Salão Internacional de desenho de Imprensa de Porto Alegre, em 1993:

Até pensei em falar para ele redesenhar e mandar para o Jornal do Comércio. Só que hoje a charge do JC era minha e o Nani foi mais rápido (ou 14 anos mais lento) e fez essa daí:

No Charge Online de hoje teve até chargista que parece que acha isso correto, já que os bebês nascem assaltando mesmo:
Ou quem achasse que o bom mesmo é discutir esse assunto de forma emotiva e atabalhoada, criticando o pedido de cautela feito pela Ellen Gracie:

Enquanto a Globo citava o belo exemplo do México, onde, uma criança poderia ser condenada a partir dos seis anos de idade (por roubar um mandolate do irmãozinho?) e mostrava um menor de 16 anos (coincidentemente negro) sendo condenado na Inglaterra, pensei em insistir em algo semelhante à minha primeira idéia. Talvez uma mãe negra e favelada recebendo uma roupinha de bebê com listras de presidiário, ou algo assim... Aí lembrei do Lalau e do Pimenta Neves, que estão soltos não por serem jovens demais. Pelo contrário, são muito velhinhos e doentinhos, os coitados. Será que não seria o caso de também se aumentar a “menoridade penal”, permitindo que pilantras da terceira idade permanecessem presos? Mas é claro que a chave de tudo não é a idade do sujeito, mas a cor da sua pele e a sua condição social. Ou vocês conhecem algum pobre que tenha virado notícia por ser vítima de crime hediondo?
Daí, saiu essa charge aí, espero que bem sucedida:
O pior é que esse massacre que nos é imposto pelos telejornais, aproveitando-se da tragédia do menino João Hélio, sequer é novidade. Quem não lembra do caso Daniela Perez, por exemplo? Ou do seqüestro do ônibus 174, da linha Jardim Botânico? Aquele em que o seqüestrador já havia se entregado quando um “atirador de ralé” resolveu fazer o que os de elite não tinham feito e deu uma rajada de metralhadora... na refém! O resultado da comoção nacional no primeiro caso foi uma alteração na Lei de Crimes Hediondos e o no segundo, um plano de segurança nacional que consistia basicamente em iluminar ruas (?!). Ou melhor, ambos os casos resultaram, mesmo, em índices elevados de audiência e apelação televisiva.



