07 maio 2007

Manifesto pela volta da chinelagem

A última vez que o Grêmio havia sido campeão em seu estádio foi em 2001. Foi também um título gaúcho conquistado após um massacre sobre o freguês Juventude. Naquele título, tão logo o jogo acabou, começou a festa, no estilo chinelo-tradicional: volta olímpica, jogadores carregando bandeiras, atirando peças do fardamento para a torcida, correndo a esmo. Enfim, uma festa espontânea, com uma breve e discreta entrega de taça como único elemento formal.
Um ano depois, o mundo ficou encantado com a cerimônia de entrega da taça para a Seleção Brasileira pentacampeã. Cafu ergueu a taça em meio a uma inédita chuva de papéis picados. Mais alguns meses e os Galácticos do Real Madri, comandados por Ronaldo, ganhavam o Campeonato Espanhol. A inovação foi uma camiseta comemorativa vestida por todos os atletas. Bonito. Muito bonito, pensei eu sentadinho no aconchego do meu lar, assistindo tudo pela TV.
Mas ontem, no Estádio Olímpico, não achei tão bonito nem tão inédito assim. Ao final do jogo, tive que aturar uns bons 15 minutos de tédio absoluto. Os jogadores receberam camisetas comemorativas do bicampeonato gaúcho e ficaram concentrados atrás de um palco que era lentamente montado. Depois, o capitão do Juventude subiu ao palco para receber um constrangedor troféu de vice-campeão. Na pasteurizada seqüência, subiram ao palco os jogadores do Grêmio para receber as suas medalhas até que, finalmente, receberam o troféu e puderam fazer a volta olímpica e comemorar com sua torcida. A parte da torcida que teve saco para permanecer na chuva e no frio. Não sem antes aquela já previsível chuva de papel picado prateado. Muito chato e sem espontaneidade. Mas é assim que as coisas são agora. Afinal, somos Campeões Gaúchos Fifa!
Depois vi na TV que em todos os campeonatos regionais aconteceu a mesma coisa. Ou seja, aquela espontânea chinelagem das boas e velhas comemorações, nunca mais!


4 comentários:

Rodrigo Cardia disse...

Lendo esse texto lembrei do comentário feito por um jornalista cujo nome não lembro, sobre a conquista da Libertadores do ano passado pelo Inter (menos mal que foi apenas um acidente, tão cedo eles não ganham de novo).
O jornalista chamou a atenção para o fato de apenas um jogador (Fernandão) ter ficado com a camisa do Inter durante toda a comemoração do título. O restante dos jogadores vestiu camisas brancas: ou eram da Reebook, ou daquelas religiosas tipo "Deus é Fiel" ou "Obrigado Jesus".
Eu estava presente àquela conquista do Grêmio em 2001, e lembro que não fiquei tanto tempo no estádio esperando que os jogadores enfim recebessem a taça e dessem a volta olímpica... E sem palco com fundo cheio de logomarcas, nem chuva de papel picado prateado! Por isso me uno ao grito: VOLTA CHINELAGEM!

Jean Scharlau disse...

talvez eles tenham contratado uma dessas empresas que organizam e filmam as formaturas.

Guga Türck disse...

Tô nessa contigo. Foi muito chato esperar e ver aquele circo armado. Tenho certeza de que nem os jogadores curtem isso. Só para constar, isso começou no Paulistão, aqui no Brasil. Tb percebi que em todos os outros campeonatos rolou a mesma coisa... Ah! E vamos ao Olímpico hoje!!!

RAMiRO disse...

O papel picado prateado é o selo FIFA! =D

Foi chato bacarai, mesmo..